segunda-feira, 1 de junho de 2026

Se Deus Me Chamar Não Vou

"...é possível que um lápis pareça estar novo, mas todo quebrado por dentro".

Maria Carmem, uma menina de 11 anos, decide escrever sobre o próprio ano de vida. "A pior idade do universo". Inteligente, observadora e profundamente solitária, ela tenta compreender os adultos, a família, a escola, Deus, o amor, o corpo e a morte. 
A narrativa acontece a partir do olhar da própria menina, que vive cercada pelos objetos da loja de produtos geriátricos da família — a “loja de velhos”, como ela chama. Nesse ambiente, infância e velhice se misturam, fazendo com que Maria Carmem reflita sobre a solidão na infância; relações familiares; amor e desamor; envelhecimento; vergonha; morte e espiritualidade; descoberta da própria identidade; contraste entre o mundo infantil e o mundo adulto.

O Homem que Sabia Javanês

Um homem sem conhecimento de javanês finge ser especialista na língua e, graças à credulidade e ao prestígio social, transforma a mentira em uma carreira de sucesso. Lima Barreto usa humor e ironia para mostrar como a sociedade pode valorizar mais a reputação, os títulos e as aparências do que o conhecimento verdadeiro. 
O sucesso de Castelo não acontece porque ele é sábio, mas porque ninguém se preocupa em verificar se ele realmente sabe o que afirma saber. Castelo é um homem desempregado e sem perspectivas que vive de pequenos golpes. Ao ver um anúncio procurando alguém que soubesse javanês (idioma da ilha de Java, na atual Indonésia), ele tem uma ideia: fingir que domina a língua. Sem saber uma única palavra de javanês, Castelo aprende apenas algumas informações superficiais em uma enciclopédia e se apresenta ao velho Barão que procura ajuda para traduzir um antigo manuscrito. O Barão acredita na farsa. Impressionado, passa a admirar Castelo e o recomenda a pessoas influentes. A mentira cresce cada vez mais: Castelo ganha prestígio, empregos e reconhecimento público como um grande especialista em javanês. Com o tempo, ele chega a ocupar cargos importantes e a ser tratado como uma autoridade no assunto, mesmo sem conhecer realmente o idioma.

quinta-feira, 5 de junho de 2025

Ponte

Hoje eu quis ser grande. Saí mulher e voltei menina. Hoje eu pensei que pudesse viver e sentir só por mim. Hoje eu descobri que responsabilidade afetiva tem peso, tem forma, tem nomes e sobrenomes. Hoje me dei conta que seguir o coração é a melhor coisa do mundo, do seu mundo...mas os mundos são vastos e são muitos, e para além disso, todo mundo tem um mundo. Hoje eu descobri que a ponte que muitas vezes temos tanto medo de atravessar,  pode nos levar ao lugar onde queremos estar e que ela também pode nos conduzir ao lugar de onde saímos, mesmo que isso não seja exatamente o que a gente quer e sim o que a gente precisa. Hoje eu descobri que um só dia pode mudar todos os outros dias. Tudo hoje. Tudo em um só dia.

JTS050625

terça-feira, 27 de maio de 2025

sábado, 9 de dezembro de 2023

A tristeza é feia e quer casar [Silmara Franco]

Está no dicionário:

Tristeza: [Do lat. tristitia.] S.f. 1. Qualidade ou estado de triste. 2. Falta de alegria. 3. Pena, desalento, consternação. 4. Aspecto revelador de mágoa ou aflição.

A tristeza, isso a gente sabe, também é quando o olhar desbota, a voz perde a força, o andar fica pesado e impossível. É quando a cabeça não tem fome de nada, saciada no silêncio. Ou ainda, quando o rio que corre dentro da alma transborda e é preciso escoar de algum jeito. O jeito? Chorar feito bebê.

A tristeza, na verdade, é uma moça. Não muito bonita. Um pouco feia. Tem cabelos longuíssimos e sem vida, que cresceram sem que ela percebesse. Há anos estão penteados do mesmo jeito. Sua roupa é bem feita, mas não tem cor. As mãos são mornas, de poucos movimentos e sempre vagarosos. Finos e magros, seus pés cabem em qualquer sapato de qualquer tamanho. Sua boca é lilás, como a boca dos mortos. Fala pouco, e quando o faz as palavras já saem vaporizadas, flutuando no ar antes de caírem ao chão, dissolvidas em seus significados.

Apesar disso, a Tristeza mora em uma casa acolhedora, com perfume de baunilha e cortinas rendadas da cor do âmbar. Há sempre música no ar. Na entrada, um daqueles tapetinhos escrito “bem-vindo”, próximo à porta com uma guirlanda em formato de coração. Ela sabe que receber bem é importante, assim as pessoas ficam mais um pouco.

A Tristeza tem muitos amigos. Mas ela vive, veja só, triste. Porque eles só a visitam quando as coisas não vão bem, e partem assim que se sentem melhor. O que não faz dela uma moça solitária. A Tristeza tem sempre companhia.

A Tristeza, moça meio sem graça, tem um desejo. A Tristeza quer casar. Quer encontrar um amor, ter muitos filhos. E, no fundo, ela torce para que não sejam parecidos com ela. Porque a Tristeza precisa da alegria à sua volta, assim o mundo vale a pena. Talvez seja como diz aquela canção: “A tristeza tem sempre uma esperança, de um dia não ser mais triste, não”.

Tristeza e eu nos encontramos de vez em quando. A última foi quando Léo se foi. Fui tomar chá de capim-cidreira em sua casa, ela me pegou no colo enquanto eu chorava (feito bebê). Léo, em toda sua doçura, por certo já havia se encontrado com Tristeza naqueles dias, sabendo que não descansaria mais sob a sua jabuticabeira. Os gatos sabem a sua hora.

Mas a Tristeza quer casar. Quer encontrar alguém que desalinhe seus cabelos e a faça falar pelos cotovelos. Que a convide para morar numa casa nova, cheia de gatos e cachorros e uma jabuticabeira. Ela se mudará, e não deixará o novo endereço para ninguém. Apenas um recado na porta da velha casa, no lugar da guirlanda de coração: “A Tristeza não mora mais aqui”.

Texto da Silmara Franco, disponível aqui

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

Vulgo Grace

"...mas não é fácil ser boa e pacata, é como estar agarrada à beirada de uma ponte depois de você já ter caído por cima do parapeito; parece que você não se mexe, fica apenas ali pendurada e, no entanto, o esforço exige toda a sua força."

segunda-feira, 9 de março de 2020

A incrível história de Adaline

"Anos, amantes e taças de vinho. São coisas que nunca devem ser contadas."

"Não fique desleixado. São as pequenas coisas que te derrubam."

domingo, 8 de março de 2020

A irmã de Ana Bolena

"Vi sangue de santos feito de sangue de porcos, e água benta ser retirada de um riacho. Metade da doutrina dessa igreja é para nos atrair, metade para nos amedrontar. Não serei seduzida e não me deixarei ser intimidada por nada. Decidi construir minha própria estrada e é o que farei."
Em situações complicadas, os esforços para resolver as coisas tendem a torná-las piores, algumas vezes muito piores e, em certas ocasiões, calamitosas.

O violino cigano

"Tudo aquilo que aconteceu na minha vida, e que no momento me pareceu uma desgraça, contribuiu, na realidade, para minha felicidade final."

segunda-feira, 4 de março de 2019

Megarrromântico

"Os budistas dizem que se você encontrar alguém...e seu coração acelerar, suas mãos tremerem e seus joelhos fraquejarem, essa não é a pessoa certa. Quando você encontra sua alma gêmea, você se sente completamente em paz."

sábado, 8 de dezembro de 2018

Como superar um fora

"Porque nos ensinaram que somos a princesa do conto. Mas, na verdade, também podemos ser a fada madrinha se uma amiga precisa de ajuda; o gênio da lâmpada quando tentamos cumprir as expectativas dos outros; e, sobretudo, o nosso próprio Príncipe Encantado. Porque princesa que se respeita, se salva sozinha."

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

10 coisas que eu odeio em você

"Odeio quando não está por perto, e o fato de não me ligar; mas eu odeio principalmente não conseguir te odiar. Nem um pouco. Nem mesmo por um segundo. Nem mesmo só por te odiar..."

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

"Os teus questionamentos me ajudaram a refletir sobre minha vida de maneira positiva, e estou tomando algumas decisões importantes, por isto em alguns momentos preciso do "helicóptero". Não se afaste de mim! Preciso de você! Bem, a minha terça continua sendo tua..."

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Coração das Trevas

"O sol mergulhou logo abaixo, e de um branco radiante transformou-se em um vermelho desbotado, sem raios e sem calor, como se estivesse pronto para desaparecer de repente, tocado de morte pela garra daquela escuridão."

domingo, 29 de janeiro de 2017

A escolha

"- O mundo despedaça a todos, Travis. O muito bom, o muito gentil, o muito corajoso. E aqueles que não despedaça, ele mata."

quarta-feira, 13 de julho de 2016

O meu pé de laranja lima

"Depois eu soube, por seu Ladislau, que apesar da minha promessa o Portuga só foi para casa depois que o Mangaratiba passou de volta. Bem tarde da noite."

quinta-feira, 23 de junho de 2016

O segredo do meu marido

"— Sabe, eles nunca dormiram juntos — sussurrou Tess, segurando a porta de tela com uma das mãos e o cotovelo da mãe com a outra.
— Sério? — perguntou Lucy. — Que interessante. No meu tempo, infidelidade era uma coisa muito mais obscena."

"A honestidade é supervalorizada."

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Caio Fernando Abreu

"Aquilo que nos fere é aquilo que nos cura. A vida tem sido muito dura comigo, mas ao mesmo tempo tem me ensinado muita coisa."

"Foi muito lindo te ver pela primeira vez e pensar, sem palavras: eu quero."

"E como não dizer que essa calmaria no peito são as mãos de Deus sobre a minha cabeça?"

"E porque o mundo, apesar de redondo, tem muitas esquinas."


"Mas não te procuro mais, nem corro atrás. Deixo-te livre para sentir minha falta, se é que faço falta… Tens meu número, na verdade, meu coração, então se sentir vontade de falar comigo ou me ver, me procura você."

quinta-feira, 14 de abril de 2016

O silêncio é também uma resposta. Uma resposta assombrosa, dolorosa, aterrorizadora. Uma resposta que aguça seus medos e monstros. Uma resposta impossível de não ser ouvida. Kafka sabia muito bem disso. O brilhante e atormentado escritor subverte e engrandece o lindo episódio do ‘canto das sereias’ na “Odisseia”. Segundo Homero, Ulisses é advertido que o poderoso e sedutor canto das sereias levaria todos à morte. Ele então ordena que o amarrem ao mastro, que não o soltem sob hipótese alguma, e também obriga toda tripulação que passe cera nos ouvidos, impossibilitando que o irresistível canto fosse ouvido. O herói esbraveja, enlouquece, vocifera, mas, ao fim, por estar completamente atado, vence as abomináveis sereias. Mas Kafka é muito mais arguto que Homero e Ulisses. Ele sugere que nada disso de fato aconteceu. Que o nosso grande herói também colocara cera em seus ouvidos. E que por mais glorioso e destemido que fosse, não resistiria jamais aos encantos dessas sereias. Elas, belas e engenhosas, sabendo da prestigiosa visita, resolveram naquele dia, justamente, não cantar. Não cantaram porque sabiam que o canto, por mais maravilhoso que fosse, poderia ser rechaçado com artimanhas das quais Ulisses era o grande mestre. Elas sabiam que o silêncio, o estrondoso silêncio, jamais, em época alguma, deixaria de ser ouvido. Ulisses, na verdade, foi vencido pela sedução do silêncio.

Ando distribuindo palavras e colhendo silêncios. Silêncios profissionais, pessoais, galácticos. O universo definitivamente não conspira para quem responde rapidamente todas as mensagens. Para quem está disponível na maioria do tempo. Para quem não sabe esperar. Eu sei que o desejo é diretamente proporcional à falta. O mistério, proporcional ao interesse. A incerteza, proporcional à recompensa. E que o silêncio é, sem dúvida, o mestre maior do desejo, do mistério, da incerteza. Em tempos de respostas instantâneas, não cantar é se fazer ouvir. É atormentar, iludir, encantar. Seria necessário romantizar as palavras. Saboreá-las. Engrandecê-las. Torná-las interessantes, recompensadoras, imprescindíveis. Guardá-las, com carinho, deixando-as germinar em um silêncio respeitoso para enfim reponde-las… e ser, de fato e finalmente ouvido e desejado.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Descansar

Eu quero descansar no teu peito
O cansaço dessa vida
E o peso de ter que ser alguém
Eu já não sei o que faço meu bem
Nem o que farei

[Canto Dos Malditos Na Terra do Nunca]

O segredo do meu mαrido

Era por isso que, se você valorizava seu casamento, devia fazer uma barricada em torno de si mesmo, dos seus sentimentos e pensamentos. Não deixar seu olhar se demorar. Não ficar para um segundo drinque. Manter o flerte na zona de segurança. Não se aventurar.

quarta-feira, 6 de abril de 2016

...o adultério não é nada simples. O conflito entre o desejo e o medo de transgredir é doloroso. Mas reprimir os verdadeiros desejos não significa eliminá-los.

sábado, 12 de março de 2016

O meu pé de laranja lima

Eu sorri cheio de dor, mas dentro daquela dor tinha acabado de descobrir uma coisa importante. O Português tinha se tornado agora a pessoa que eu queria mais bem no mundo.