segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

A Dama de Vermelho.


Era sua primeira noite como puta.
Saia, batom e vestido vermelho, que era pra despertar o desejo.
Não tinha todos os dentes, tampouco era bonita, mas garantia ter o decote mais bem feito da cidade. Mascava chiclete e acreditava estar arrasando sob a luz do velho poste.
O primeiro cliente apareceu uma hora depois.
Bêbado, cantava Amado Batista pela rua escura à procura de uma foda.
Aproximou-se da Dama de Vermelho e perguntou:
- E aí, delícia, quanto tá pela foda?
Ela analisou o sujeito antes de responder:
- Olha, serviço completo é 20 real. Tudo muito bem feito.
- Não. Hoje tô só afim de uma fodida tranqüila...Só uma brincadeirinha à toa.
A Dama de Vermelho abaixou a saia e falou:
- Oh, meu tio, faço por R$ 15. E come logo aí que eu to querendo chegar cedo em casa. Sabe como é, não pode vacilar com esse tanto de bandido na rua.
- Tens razão. Puta precavida se dá melhor na vida. Mas não me chame de tio, que essa “coisa” em família parece até pecado.
- E desde quando tu é Santo, meu tio? – Ela pirraçava o sujeito.
- Santo nunca fui. E deixa essa conversa de Santo para quando eu for visitar minha mãe no domingo. Agora anda logo com esse negócio.
Depois do serviço feito, ele a pagou e foi embora.
A Dama de Vermelho alugou alguns filmes antes de ir para casa, que era apenas um quartinho pobre. Chegando, fez pipoca e foi assistir Uma Linda Mulher, porque até as putas tem seus contos de fadas.

Publicado por Rafaela, bem aqui.

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